APÓS MOBILIZAÇÃO COLETIVA PARA REFORMA, OBRA DO ILÊ OMO AGBOULÁ, TERREIRO TOMBADO PELO IPHAN, É CONCLUÍDA E ENTREGUE À COMUNIDADE DE ITAPARICA
Foto: Agboulá após obra concluída / Divulgação
Casa de culto aos egunguns – ancestrais africanos masculinos – mais antiga em funcionamento do Brasil, o terreiro Ilê Omo Agboulá teve o seu reparo concluído pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Patrimônio Cultural Brasileiro desde 2015, o bem recebeu R$ 570 mil em investimentos para a realização de intervenções emergenciais.
A entrega das obras será celebrada em cerimônia na próxima sexta-feira, dia 23 de agosto. Estarão presentes a presidente do Iphan, Kátia Bogéa, e a prefeita de Itaparica, Marlylda Barbuda dos Santos.
Em seguida, no dia 24, a programação continua com o Seminário Tradição, Preservação e Memória Ancestral. O objetivo do evento é a promoção do debate entre agentes públicos, comunidade religiosa e acadêmica sobre a preservação do Patrimônio Cultural dos terreiros.
Reforma
As intervenções, previstas em um projeto de conservação de terreiro tombados elaborado em parceria com a Universidade Federal da Bahia (UFBA), foram impulsionadas após a queda de uma árvore que atingiu e danificou a estrutura da Casa do Renascimento, área sagrada em que somente os iniciados do terreiro podem ter acesso internamente.
As intervenções, previstas em um projeto de conservação de terreiro tombados elaborado em parceria com a Universidade Federal da Bahia (UFBA), foram impulsionadas após a queda de uma árvore que atingiu e danificou a estrutura da Casa do Renascimento, área sagrada em que somente os iniciados do terreiro podem ter acesso internamente.
O Barracão, local onde são realizadas as cerimônias públicas, também foi reformado. Membro da Comissão de Terreiros Tombados da Bahia, o historiador e ogã de Ewá Marcos Rezende, coordenador de relações internacionais do Coletivo de Entidades Negras (CEN), lembrou do esforço coletivo para que a reforma do Agboulá fosse possível.
“Atrás dessa imagem bonita de um terreiro Agboulá reformado tem a força e luta de Nalva Santos, Desirée Tozi e Sandra Correa, do IPHAN, da ekédy Déa de Oxossi do Terreiro do Gantois, de Tanira Fontoura de Yemanjá, também do Gantois, do reitor da UFBA João Carlos Salles, que fez um esforço sobre-humano para que esse projeto se concretizasse, da equipe de trabalho dele, que recebeu as informações a 48 horas do final do prazo e fez o possível e impossível para tornar esse projeto realidade. Temos também que agradecer a Naia, diretora da Faculdade de Arquitetura da UFBA, ao professor Fábio Velame, coordenador do projeto, ao Coletivo de Entidades Negras – CEN e aos terreiros tombados da Bahia, que abriram mão da totalidade do recurso para que três casas que tinham maiores problemas estruturais pudessem receber as benfeitorias dessa belas reformas”, relembrou Rezende, citando todos os envolvidos.
Durante a obra, membros do próprio terreiro foram contratados pela empresa executora após capacitação ofertada pelo acordo de cooperação firmado entre IPHAN e UFBA. Com a formação, os integrantes ganham autonomia para executar eventuais intervenções emergenciais nas casas sem depender de aporte financeiro e técnico.
Ilê Omo Agboulá
Fundado em 1934, o terreiro Ilê Omo Agboulá foi o primeiro do Brasil a cultuar os Egunguns trazidos da África. Atualmente é um dos poucos lugares dedicados exclusivamente a este culto no país.
Fundado em 1934, o terreiro Ilê Omo Agboulá foi o primeiro do Brasil a cultuar os Egunguns trazidos da África. Atualmente é um dos poucos lugares dedicados exclusivamente a este culto no país.
Para o alagbá Balbino Daniel de Paula, responsável espiritual pelo terreiro, os investimentos do governo federal são fundamentais para a preservação do patrimônio cultural. “O que é mais valoroso nesse contexto é que as futuras gerações não podem perder o direito de receber esse patrimônio. Eles têm o direito de receber e também de preservar tanto quanto nós”, explica.
Ações
As obras no Ilê Omo Agboulá são fruto de um acordo firmado entre o Iphan, a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFBA e as comunidades dos terreiros baianos para a execução de ações de conservação de bens tombados no estado. Além do Agboulá, a parceria contempla ainda intervenções nos terreiros do Alaketu, Ilê Maroiá Láji, localizado em Salvador, tombado em 2004, e Zogbodo Male Bogun Seja Unde (Roça do Ventura), situado em Cachoeira, tombado em 2015.
As obras no Ilê Omo Agboulá são fruto de um acordo firmado entre o Iphan, a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFBA e as comunidades dos terreiros baianos para a execução de ações de conservação de bens tombados no estado. Além do Agboulá, a parceria contempla ainda intervenções nos terreiros do Alaketu, Ilê Maroiá Láji, localizado em Salvador, tombado em 2004, e Zogbodo Male Bogun Seja Unde (Roça do Ventura), situado em Cachoeira, tombado em 2015.
A iniciativa inclui a realização de oficinas de mobilização e capacitação e o desenvolvimento de planos de conservação para os bens. Também prevê a elaboração de projetos de intervenção e execução das obras necessárias para sanar danos que ofereçam riscos iminentes à conservação e à manutenção das manifestações culturais e religiosas dos terreiros.
Serviço:
Entrega das obras do terreiro Ilê Omo Agboulá
Data: 23 de agosto de 2019, às 10h
Local: Rua dos Eguns, Alto da Bela Vista – Itaparica/BA
Entrega das obras do terreiro Ilê Omo Agboulá
Data: 23 de agosto de 2019, às 10h
Local: Rua dos Eguns, Alto da Bela Vista – Itaparica/BA
Serviço:
Seminário Tradição, Preservação e Memória Ancestral
Data: 24 de agosto de 2019, às 8h30
Local: Rua dos Eguns, Alto da Bela Vista – Itaparica/BA
Seminário Tradição, Preservação e Memória Ancestral
Data: 24 de agosto de 2019, às 8h30
Local: Rua dos Eguns, Alto da Bela Vista – Itaparica/BA
FONTE : midia4

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