MPRJ PROMOVERÁ DIÁLOGO SOBRE INTOLERÂNCIA RELIGIOSA NO ESTADO NA PRÓXIMA SEGUNDA-FEIRA

A ialorixá Mãe Meninazinha de Oxum é uma das participantes do diálogo público no MPRJ Foto: Ana Branco
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) vai promover, na próxima segunda-feira, um diálogo público sobre intolerância religiosa. O encontro "Intolerância religiosa pela perspectiva da liberdade, dignidade e do crime organizado" vai reunir, das 14h às 18h no foyer do auditório do edifício-sede, líderes representantes de algumas religiões na cidade, como o Padre Lázaro Dias, a ialorixá Mãe Meninazinha de Oxum, o babalaô Ivanir dos Santos e o pastor batista Marco Davi da Oliveira. A inscrição pode ser feita através do site do MPRJ.
De acordo com a Secretaria Especial de Direitos Humanos, o Rio de Janeiro é o Estado com o maior número de denúncias de casos de discriminação religiosa, que têm como alvo principal as religiões afro-brasileiras. Para o Babalawô Ivanir dos Santos, a intolerância religiosa é uma questão social, política e religiosa.
— É uma atitude importante do Ministério Público levando em conta os acontecimentos no Rio. Hoje você tem 200 casas ameaçadas de funcionar. No município de Campos já tivemos duas mortes de sacerdotes e há uma grande liderança ameaçada. Cabe ao Estado fazer medidas para tentar trazer segurança para as comunidades. Esperávamos há muito tempo — disse Ivanir, que afirma ter piorado o ambiente de intolerância no país:
— Só teve piora nesses últimos anos em todas as esferas, seja na relação de trabalho, nas relações de vizinhança, no campo da educação, escolas e universidades. A intolerância tem afetado a todas as liberdades. Acabamos de ver a história da Bienal do Livro, um absurdo uma autoridade pública em sua convicção religiosa (o prefeito Marcelo Crivella determinou que a história em quadrinhos "Vingadores: A cruzada das crianças" fosse recolhida). Intolerância é um risco à democracia. Religiões africanas são as mais atingidas, mas o conjunto da sociedade se sente ameaçada. Cabe à sociedade reagir e forçar o estado a cumprir as medidas importantes.
Em agosto, uma operação da Polícia Civil em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, cumpriu mandados de prisão contra traficantes envolvidos em casos de intolerância religiosa. Oito pessoas foram presas e um suspeito, que atirou contra os policias, foi morto. A investigação sobre o bandidos durou três meses e foi realizada após terreiros de candomblé localizados na comunidade Parque Paulista serem alvo dos bandidos.
FONTE : extra

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