RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS MENOS CONHECIDAS GANHAM ESPAÇO E TAMBÉM PASSAM A SOFRER CASOS DE INTOLERÂNCIA - TVR USM

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RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS MENOS CONHECIDAS GANHAM ESPAÇO E TAMBÉM PASSAM A SOFRER CASOS DE INTOLERÂNCIA


Egungun, Omolokô, Catimbó. Quando se pensa em religiões de matriz africana, logo vêm à mente Umbanda e Candomblé. Existem, porém, ao menos dez religiões brasileiras com elementos cujas raízes estão fincadas na África. Apesar de menos conhecidas, elas também sofrem preconceito: a Polícia Civil do Rio investiga casos de intolerância contra praticantes de Quimbanda e Culto de Ifá.
— Recebemos ocorrências de vitimização relativas a religiões de matriz africana que extrapolam a Umbanda e o Candomblé. Normalmente, um praticante da Quimbanda não se apresenta como tal. Ele se diz da Umbanda e, depois, em uma conversa mais privada, explica que é da Quimbanda — conta o delegado Gilbert Stivanello, da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi).
Além das religiões herdadas diretamente dos africanos, existe o sincretismo destas com outras crenças ou doutrinas, como é o caso do Umbandaime, uma aproximação da Umbanda com Santo Daime, que vem crescendo no Rio e já tem até dissidência: a Daimeumbanda.
UMBANDAIME
Mescla ritos de Umbanda com Santo Daime, doutrina com ritual do chá ayahuasca, de origem indígena. No Umbandaime, as práticas de Umbanda prevalecem, e o chá é acrescido. “Não é uma nova Umbanda. São transformações naturais em uma religião que só tem 112 anos, muito nova se comparada a outras religiões”, diz Dayse Freitas, da Federação Brasileira de Umbanda.
DAIMEUMBANDA
Se o Umbandaime nasceu de umbandistas que absorveram o chá nos seus ritos, o Daimeumbanda fez o trajeto contrário: praticantes do Santo Daime começaram a absorver rituais da Umbanda. “A doutrina do Santo Daime é eclética e permite vários trabalhos”, explica Marco Imperial, fundador da igreja Rainha do Mar, em Pedra de Guaratiba.
QUIMBANDA
A Quimbanda é identificada por alguns como o contraponto da Umbanda e, às vezes, associada à magia negra, o que não é necessariamente verdade. “É uma parte da Umbanda que lida com entidades exus e pombagiras, não usa elementos dos orixás”, explica o babalorixá Paulo de Oxalá, colunista do EXTRA.
CULTO DE IFÁ
O Culto de Ifá é ligado ao orixá Orunmilá-Ifá da religião iorubá, mais precisamente da Nigéria. Não é propriamente uma divindade (orixá), é o porta-voz de Orunmilá e dos outros orixás. Orunmilá muitas vezes é designado como orixá do destino na cultura africana iorubá. Os oluôs ou babalaôs são a autoridade máxima do culto de Ifá.
NAÇÃO XAMBÁ
Teve origem na fronteira da Nigéria com Camarões, nos montes Adauama, onde viveu o povo Xambá ou Tchambá, que foi escravizado e trazido para o Brasil. “Na África, cada região é comandada por uma divindade, por isso existem muitas religiões. Por isso nós costumamos dizer que no Brasil os candomblés são pequenas Áfricas”, explica Paulo de Oxalá.
TAMBOR DE MINA
Culto de origem africana semelhante ao Candomblé, o Tambor de Mina se estabeleceu no início do século 19 no Maranhão, trazido por escravos da Costa da Mina, na Nigéria. Sua doutrina é marcada pela comunicação com entidades espirituais por meio de possessões, oferendas e ritos de adivinhação.
EGUNGUN
O Egungun é um espírito ancestral pertencente à mitologia iorubá. O objetivo principal do cultos dos Egungun é tornar visíveis os espíritos dos ancestrais, agindo como uma ponte entre os vivos e seus antepassados, e, ao mesmo tempo, mantendo a continuidade, mas com distinção clara, entre a vida e a morte.
OMOLOKÔ
O Omolokô é um segmento de origem africana que surgiu no Brasil oriundo de uma miscigenação que ocorreu na época da escravidão. O Omolokô cultua os orixás com suas cantigas em iorubá e aceita a presença do caboclo e do preto-velho para fazer a caridade no atendimento aos seus fiéis.
CABULA
Classificada como candomblé de caboclo e considerada como precursora da Umbanda, a Cabula surgiu no final do século 19 na Bahia. Mantém forte influência da cultura afro-brasileira, sobretudo dos malês, bantos com sincretismo provocado pela difusão da doutrina espírita nos últimos anos do século 19.
BATUQUE
Batuque é uma religião afro-brasileira de culto aos orixás que se estendeu para países vizinhos, como Uruguai e Argentina. É fruto de religiões dos povos da Costa da Guiné e da Nigéria. A palavra batuquese originou da palavra “batukajé”, um termo banto, numa referência ao bater dos tambores.


FONTE : extra

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