AGLOMERAÇÃO E PROCURA POR ARTIGOS DE FESTA JUNINA MARCAM REABERTURA DO MERCADÃO DE MADUREIRA - TVR USM

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AGLOMERAÇÃO E PROCURA POR ARTIGOS DE FESTA JUNINA MARCAM REABERTURA DO MERCADÃO DE MADUREIRA


Distanciamento não foi respeitado: o que se viu nesta terça foram muitos focos de aglomeração no Mercadão Foto: Luiza Moraes / 

A vendedora de uma loja de roupas infantis do Mercadão de Madureira recebia atenta os clientes na entrada do estabelecimento no início da tarde desta terça-feira, insistindo com os visitantes desatentos: “senhor, senhora, o álcool em gel, por favor”. O polo comercial reabriu todas as lojas, fechadas desde o fim de março, mas apesar das tentativas de evitar aglomerações, o espaço parecia estar funcionando num dia normal, como antigamente, não fossem as máscaras lembrando que a pandemia do novo coronavírus continua sendo um problema presente.
Seguindo a programação de junho, vestidos e camisas quadriculados e chapéus de palha ganharam destaque nas lojas, e estiveram também entre os artigos mais vendidos na loja de roupas infantis, além de outras peças para festas, apesar das recomendações para que festividades sejam canceladas.
— Estamos vendendo normalmente, e as pessoas não têm vergonha em dizer que é para festa. Só vão se dar conta do perigo ao perder alguém. Olha quanta gente tem aqui! — relatou uma das vendedoras, que preferiu não se identificar.
Nas entradas do Mercadão, clientes são recebidos por funcionários que medem a temperatura e aplicam álcool em gel nas mãos. Quem não estiver de máscaras, não pode acessar o espaço, como avisam placas na entrada do centro comercial e também em diversas lojas.

Medição de temperatura e checagem de máscaras: fila foi formada em frente ao Mercadão Foto: Luiza Moraes 

Já nas saídas, funcionários indicam o caminho aos consumidores, que são guiados também por adesivos no chão dos corredores, direcionando o sentido do caminho para tentar evitar ao máximo as aglomerações. As indicações, no entanto, foram pouco respeitadas pelos visitantes: a “contramão”, somada às filas de entrada para algumas lojas, faziam o vai-e-vem nos corredores ser confuso e movimentado, sem o distanciamento de 2 metros entre as pessoas — uma das chamadas "regras de ouro" da Prefeitura do Rio. Vários estabelecimentos se tornaram ponto de grande concentração de pessoas, como uma agência lotérica e algumas lojas de artigos de festas e descartáveis. Alguns consumidores procuravam por embalagens de transporte de alimentos, usadas nos pedidos entregues via delivery, mas a busca por bexigas, lembrancinhas e outros itens de decoração para festividades também foi grande.
A garçonete Rafaela Gonçalves, de 33 anos, aproveitou o dia de folga para ir ao Mercadão com a cunhada e a filha, Maria Raissa. A menina completa 15 anos no fim do mês, e comemoração que estava sendo planejada com antecedência precisou ser cancelada, e substituída por uma celebração “apenas entre a família”, garantem as três.
— Viemos comprar principalmente descartáveis, mas fiquei surpresa com a quantidade de gente. Estou aqui, mas “fadigada”. Se não tivesse que vir, estaria em casa — contou Rafaela, moradora de Marechal Hermes.

Clima de festa junina, mesmo em tempos de isolamento, no Mercadão de Madureira Foto: Luiza Moraes


As lojas de artigos religiosos do Mercadão também tinham tido suas atividades suspensas. Agora, tentam voltar ao ritmo de antes, mas ainda lidam com a falta de produtos, que dependem de fornecedores.
— Estávamos atendendo em uma espécie de delivery, por encomenda, mas, com um muitas fábricas ainda fechadas, muitos produtos ainda estão faltando. Agora, estamos vendendo principalmente velas e miudezas — explica Marco Antônio Pereira, gerente de uma das lojas.
A auxiliar de escritório Elisabete Ferraz, de 43 anos, e a bibliotecária Cristina Pimentel, de 51, aproveitaram a reabertura do polo comercial para comprar itens para um ritual religioso, após meses de lojas fechadas. As amigas fazem parte de um terreiro de Candomblé em Vila Valqueire.
— Nossa casa está aberta para problemas mais urgentes, mas estamos retomando as atividades aos poucos, em fases, só quando realmente nos sentirmos seguros — disse Elisabete. — Com o Mercadão e as outras lojas fechadas, estava apenas acendendo minhas velas com o que conseguia comprar no mercado mesmo.
Moradora de Campo Grande, na Zona Oeste, a merendeira Solange Martins, de 65 anos, aproveitou que precisava ir a Madureira para uma consulta médica e passou pelo polo comercial.
— Vou comprar umas coisas que estava precisando e assim já não saio mais de casa. Já estava com saudades da rua — diz.

Prefeitura diz que duas lojas foram fechadas por irregularidades


Em nota, a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), afirmou que realizou, nesta terça, uma ação conjunta de fiscalização do comércio em Madureira, onde duas lojas foram fechadas e 13 ambulantes foram advertidos.
"O bairro – um dos principais polos comerciais da cidade – vem recebendo ações contínuas da força-tarefa para enfrentamento do novo coronavírus. No fim de semana, houve operação no sábado e no domingo, com 26 ambulantes e estabelecimentos fiscalizados. Na ocasião, duas lojas foram fechadas por desacordo com o decreto municipal de isolamento social e 13 ambulantes irregulares orientados a se retirar.
Coordenada pela Seop, a força-tarefa de fiscalização do comércio conta com profissionais da Subsecretaria de Operações da pasta, Guarda Municipal, Secretaria Municipal de Fazenda, Subsecretaria de Vigilância Sanitária e Comlurb, além do apoio da Polícia Militar em algumas áreas. Os agentes fiscalizam estabelecimentos e ambulantes, verificando se estão autorizados a funcionar e cumprindo medidas higiênico-sanitárias, entre outros cuidados para conter aglomerações e proteger a população do risco de contaminação. As atividades tanto de ambulantes irregulares quanto de estabelecimentos não essenciais estão sendo interrompidas".

RioSul também reabre


Cinco dias após a reabertura dos shoppings, o RioSul, em Botafogo, na Zona Sul, também voltou a funcionar. Apenas dois dos quatro acessos do centro comercial estavam abertos, onde funcionários recebiam visitantes com um aparelho de medição de temperatura.
Diferente de outros locais, como o Botafogo Praia Shopping e o Nova América, em Del Castilho, que no último dia 11 registraram filas nas entradas, o movimento do RioSul foi fraco, e algumas lojas continuaram fechada neste primeiro dia de retomada das atividades.
Além dos dispenseres e totens de álcool em gel, a praça de alimentação estava com os acessos bloqueados e as cadeiras suspensas. Restaurantes e lanchonetes só estão autorizados a operar por delivery ou take away.

FONTE : Extra

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