ÚNICO TEMPLO DEDICADO A OGUM NO BRASIL É TOMBADO COMO PATRIMÔNIO CULTURAL DE SALVADOR - TVR USM

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ÚNICO TEMPLO DEDICADO A OGUM NO BRASIL É TOMBADO COMO PATRIMÔNIO CULTURAL DE SALVADOR

 Terreiro faz parte da história da comunidade do Candeal e foi fundado no século 19.


A ‘Casa de Ogun’, localizada no bairro do Candeal, em Salvador, único templo registrado no Brasil exclusivamente dedicado ao orixá, foi tombado como patrimônio cultural do município. A cerimônia aconteceu nesta segunda-feira (13) e serviu para preservar e oficializar o templo como bem de valor histórico, cultural e arquitetônico da capital baiana.

Fundado no século 19 pela sacerdotisa nigeriana Josefa de Santana, o espaço faz parte da história da comunidade do Candeal e o tombamento garante que os ritos e atividades sejam preservados e transferidos para outras gerações.

“Este espaço sagrado está presente na memória local. Ogum é padroeiro do Candeal. E a memória do bairro se vincula à trajetória dessa família de africanos”, explicou Milena Tavares, diretora de patrimônio da Fundação Gregório de Mattos, órgão responsável pelo tombamento.


O processo teve início depois de um ato de intolerância sofrido em 2015. O presidente da Associação Brasileira de Preservação da Cultura Afro-Ameríndia (AFA), Leonel Monteiro, acrescentou que o tombamento vai servir para que as tradições religiosas sejam preservadas, principalmente em meio aos atos recorrentes.


“É um conjunto único de saberes e fazeres, de tradição ancestral, que precisa ser preservado. E que nas últimas décadas vem sendo ameaçado pela especulação imobiliária, pela intolerância que persiste em correr o tecido da nossa sociedade”, disse.


A historiadora Lisa Castillo é estudiosa na etnografia e histórias de vida de africanos libertos que voltaram para a África, com destaque para os que fundaram os terreiros de candomblé mais antigos da Bahia.


Ela conheceu a história do espaço através de um documentário e, de acordo com seus estudos, a Casa de Ogun pode ser considerado muito mais do que um templo religioso.


“O interessante deste assentamento de Ogum é que não é exatamente uma casa de candomblé. É um assentamento familiar que foi mantido ao longo de 200 anos”, comentou.


O tombamento faz parte do “Salvador Memória Viva”, programa de atividades de proteção e estímulo à preservação dos bens materiais e imateriais do município desenvolvido pela prefeitura de Salvador, contemplado por lei municipal que institui normas de proteção e estímulo à preservação do patrimônio cultural da cidade.

Okutá, pedra sagrada na Casa de Ogun — Foto: Reprodução TV Bahia


VÍDEO DA MATÉRIA ABAIXO


FONTE: TV BAHIA

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