“ISSO AQUI VAI VIRAR MACUMBA!”: BEIJA-FLOR FAZ A SAPUCAÍ GIRAR NO BEMBÉ DE SANTO AMARO
Segunda escola a desfilar nesta segunda (16), a atual campeã ocupou a rua por direito para celebrar a resistência negra e a ancestralidade baiana.
A Beija-Flor de Nilópolis mostrou que sua “liberdade não depende de papel”. Atual detentora do título, a azul e branca transformou a Marquês de Sapucaí em um imenso terreiro a céu aberto com o enredo “Bembé”, assinado pelo carnavalesco João Vitor Araújo. Ao celebrar os 130 anos da maior cerimônia de Candomblé de rua do mundo, em Santo Amaro (BA), a escola reafirmou que o asfalto é o lugar da “arte preta de terreiro” e da herança viva do povo negro.
O desfile foi um verdadeiro “xirê” de luxo e devoção. A comunidade nilopolitana deu um show à parte com seu canto avassalador, provando que a “reza no corpo e a dança na alma” são o segredo da sua harmonia impecável. João Vitor Araújo trouxe para a pista a “mistura de cultura” entre a Baixada Fluminense e o Recôncavo Baiano, evocando as bênçãos de Dona Canô e a proteção das Yabás. Do balanço de Yemanja no mar à beleza do ibá de Oxum, a Beija-Flor “pôs erva para defumar” e limpou os caminhos rumo ao bicampeonato.
Com um “atabaque que ecoou” no peito de cada espectador, a agremiação mostrou que não teme ataque algum quando o assunto é defender sua fé. Ao som do refrão “Deixa girar que a rua virou Bembé”, a multidão de macumbeiros de Nilópolis fez valer o seu lugar na história do Carnaval. A Beija-Flor encerrou sua apresentação sob gritos de “bicampeã”, provando que, quando o “couro do axé” ressoa, a Sapucaí se curva à majestade da Baixada.


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