“NA ESTAÇÃO PRIMEIRA DO AMAPÁ”: MANGUEIRA FAZ O MORRO E A FLORESTA SE ENCONTRAREM NA SAPUCAÍ
Última escola a desfilar na primeira noite do Grupo Especial, a Verde e Rosa pintou a Sapucaí de jenipapo e urucum para consagrar o legado de Mestre Sacaca.
A Estação Primeira de Mangueira provou que a cura para o tédio é o samba de raiz. Ao encerrar a primeira noite de desfiles na madrugada desta segunda-feira (16), a Verde e Rosa atravessou a Sapucaí incorporada pela mística de Mestre Sacaca, o “Guardião da Amazônia Negra“. Sob o comando do carnavalesco Sidney França, a escola fincou suas raízes no extremo norte, unindo o Morro de Mangueira às águas que jorram do Oiapoque ao Jari.
O desfile foi um verdadeiro “transe do caxixi”. A comunidade mangueirense, “herdeira quilombola e descendente Palikur”, transformou a Avenida em um imenso consultório da floresta, onde as folhas secas guiaram o público ao Turé. A plástica de Sidney França soube traduzir a “ciência do encanto”, mesclando o luxo do Carnaval com a rusticidade das ervas e cascas que Mestre Sacaca usava para “engarrafar a cura” e alumiar o caminho do povo tucuju.
O canto vigoroso da escola foi uma “ladainha que ecoou dos porões” até as arquibancadas. No compasso do Marabaixo e com a “mão de couro do amassador”, a Mangueira consagrou seu manto às bênçãos de São José de Macapá e de Yá Benedita de Oliveira, a eterna matriarca do morro.
Ao som de “Çai Erê, Babalaô!”, a Estação Primeira realizou um ritual de benzimento coletivo, deixando a Sapucaí encantada pelo batuque e certa de que a magia do seu tambor é a medicina mais forte do Carnaval.


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