RJ - PARAÍSO DO TUIUTI 2026: VEJA O ENREDO E CANTE O SAMBA
A Paraíso do Tuiuti vai abrir as apresentações da terça-feira (17).
O “esquenta” está marcado para as 21h45, e o desfile deve começar às 22h.
O enredo é “Lonã Ifá Lukumi”.
O enredo
Dizem que a tradição iorubá atravessa o mundo junto com quem a carrega. Foi assim que ela chegou a Cuba.
Na África, os iorubás guardavam seus saberes no Ifá, o oráculo que orienta o destino e ensina o caminho do equilíbrio. Esse conhecimento era transmitido pelos babalaôs, que liam os sinais da vida e mantinham viva a ligação com os orixás. Nada disso estava escrito em livros: vivia na palavra, no gesto e na memória.
Quando homens e mulheres iorubás foram arrancados de suas terras e levados à força para o outro lado do Atlântico, não puderam escolher o caminho. Em Cuba, passaram a ser chamados de lucumis e foram obrigados a trabalhar nas plantações de cana-de-açúcar e café. Mesmo sob violência, carregaram consigo sua fé e sua língua.
Nas senzalas e nos engenhos, os lucumis reconstruíram sua religião. Em segredo, preservaram o Ifá, ensinaram os rituais aos mais jovens e mantiveram os orixás vivos no cotidiano. Em Matanzas, essa herança ganhou força e se transformou em resistência. Ali, a africana Carlota Lucumí liderou uma grande revolta contra a escravidão, tornando-se símbolo de luta e coragem do povo iorubá em solo cubano.
Foi também em Matanzas que o Ifá criou raízes profundas. Remígio Herrera, conhecido como Adechina, nasceu escravizado, mas se tornou uma das figuras centrais da preservação dessa tradição.
Depois de conquistar a liberdade, voltou à África para se consagrar babalaô e retornou a Cuba com a missão de organizar o culto de Ifá nas Américas. A partir dele, o oráculo se firmou e passou a ser transmitido de geração em geração.
Para sobreviver à perseguição colonial, os lucumis associaram seus orixás a santos católicos. Assim nasceu a Santería, também chamada de Regla de Ocha ou Regla Lucumi, uma forma de manter a fé viva sob disfarce.
Dessa travessia forçada surgiu uma nova casa para a tradição iorubá. Em Cuba, a África continuou a existir, reinventada, resistente e viva. É essa história — de dor, fé e permanência — que a Paraíso do Tuiuti leva para a Avenida ao contar como o iorubá chegou a Cuba.
Cante o samba
Autores: Claudio Russo, Gustavo Clarão e Luiz Antonio Simas
Intérprete: Pixulé
Ibarabô, agô lonã
Olukumí
Iboru iboya ibosheshe
Canta Tuiuti!
Meu padrinho me falou
Cada um tem seu ori
O destino é professor
A raiz é Lucumí
Ifá, retira dessa flor os seus espinhos
Revela meu odu e seus caminhos
Com os ikins de Orunmilá
Me dê seu irê para vida
Olodumarê criador
Espalhou axé e amor
No Ilê dos orixás
E o negro iniciado no segredo
Do reino de Olokun fez sua trilha
Rompendo os grilhões de morte e medo
Foi o primeiro babalaô da ilha
Babá moforibalé, babá moforibalé
Orunmilá Taladê, babá moforibalé
Eleguá
É o dono do poder
Moenda não pode mais moer
Põe fogo na cana
Eleguá
Tem mandinga e dendê
Hoje o couro vai comer
Nas barbas de Havana
Ah! O ânimo de ser do baticum
Com a lâmina sagrada de Ogum
E a sina de quem ama o Idefá
Ah! A rama do Caribe se expandiu
No verde e amarelo do Brasil
Nas cordas do opelê e no oponifá
Derruba os muros quem sabe asfaltar
Caminhos abertos na mão de Ifá
Que o mundo entenda
O ebó vence a dor
Sentado à esteira de um babalaô
Ficha técnica
Fundação: 5 de abril de 1952
Cores: 🔵🟡Azul e Amarelo
Presidente: Renato Thor
Carnavalesco: Jack Vasconcelos
Diretor de Carnaval: Leandro Azevedo
Intérprete: Pixulé
Mestre de Bateria: Marcão
Rainha de Bateria: Mayara Lima
Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Vinicius Antunes e Rebeca Tito
Comissão de Frente: David Lima



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