RJ - UNIDOS DA TIJUCA 2026: VEJA O ENREDO E CANTE O SAMBA - TVR USM

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RJ - UNIDOS DA TIJUCA 2026: VEJA O ENREDO E CANTE O SAMBA

 


A Unidos da Tijuca é a última escola da segunda-feira (16).


O desfile deve começar entre 2h30 e 3h.


O enredo é “Carolina Maria de Jesus”.


O enredo

Antes de ser conhecida pelo mundo, Carolina Maria de Jesus se chamava Bitita. Era uma menina negra, nascida no interior de Minas Gerais, num Brasil ainda marcado pelas feridas da escravidão recém-abolida. Cresceu ouvindo histórias dos mais velhos, aprendendo com a fala, com a escuta e com a sabedoria que não vinha dos livros, mas da memória e da tradição.

Desde cedo, Bitita se encantou pelas palavras. Mesmo sem acesso fácil à escola, queria entender as letras, os nomes das coisas, os sentidos escondidos nos livros. Quando percebeu que, para existir diante do mundo, precisava assinar o próprio nome, Bitita virou Carolina. Nascia ali o desejo de ser escritora.

Já moça, Carolina entendeu que a liberdade prometida aos negros não era real. Trabalhou na roça, sofreu violência e preconceito, foi presa e humilhada apenas por carregar um dicionário. Aquele episódio marcou sua vida e a fez deixar a terra natal em busca de um novo começo.

O caminho levou Carolina a São Paulo. A cidade grande prometia oportunidades, mas ofereceu dureza. Sem emprego fixo, foi morar na favela do Canindé. Para sobreviver, catava papel, ferro e restos pelas ruas. Com o mesmo gesto, catava também histórias. Nos cadernos encontrados no lixo, escrevia sobre a fome, a miséria, o racismo, a violência e o cotidiano da favela.

Foi assim que nasceu “Quarto de Despejo”, livro que revelou ao Brasil uma realidade que muitos fingiam não ver. Carolina virou conhecida como “a favelada que escrevia”. Sua obra incomodou, porque denunciava políticos, expunha desigualdades e desmontava a imagem romantizada da pobreza.

O sucesso, porém, veio com limites. Esperavam que Carolina falasse apenas da favela e da miséria. Quando tentou ir além, escrever outras histórias, peças e poemas, foi deixada de lado. A escritora negra, fora do papel que lhe reservaram, passou a ser silenciada.

Mesmo assim, Carolina permaneceu. Sua escrita resistiu ao apagamento e continuou viva nas páginas, nas memórias e nas inspirações que deixou. Sua linguagem misturava o português das ruas com a força da literatura, mostrando que o Brasil também se escreve a partir da margem.

É essa trajetória que a Unidos da Tijuca leva para a Avenida em 2026. O desfile conta a história de uma mulher que transformou palavra em sobrevivência, denúncia em literatura e vida em legado. Carolina Maria de Jesus, com nome e assinatura no lugar certo, como ela sempre exigiu.


Cante o samba

Autores: Lico Monteiro, Samir Trindade, Leandro Thomaz, Marcelo Adnet, Marcelo Lepiane, Telmo Augusto, Gigi da Estiva e Juca

Intérprete: Marquinhos Art’Samba

Muda essa história, Tijuca!

Tira do meu verso a força pra vencer

Reconhece o seu lugar e luta

Esse é nosso jeito de escrever


Eu sou filha dessa dor

Que nasceu no interior de uma saudade

Neta de Preto Velho

Que me ensinou os mistérios

Bitita cor, retinta verdade

Me chamo Carolina de Jesus

Dele herdei também a cruz

Dele herdei também a cruz

Olhe em mim, eu tenho as marcas

Me impuseram sobreviver

Por ser livre nas palavras

Condenaram meu saber

Fui a caneta que não reproduziu

A sina da mulher preta no Brasil


Os olhos da fome eram os meus

Justiça dos homens não é maior que a de Deus

Meu quarto foi despejo de agonia

A palavra é arma contra a tirania


Sonhei sobre as páginas da vida

Ilusões tolhidas no sistema algoz

Que tenta apagar nossa grandeza

Calar a realeza que resiste em nós

Dos salões da burguesia aos barracos do Borel

Onde nascem Carolinas

Não seremos mais os réus

Por tantas Marias que viram seus filhos crucificados

Nas linhas da vida, verbo na ferida, deixei meu legado

Meu país nasceu com nome de mulher

Sou a liberdade, mãe do Canindé


Ficha técnica

Fundação: 31 de dezembro de 1931

Cores: 🔵🟡Azul e Amarelo

Presidente: Fernando Horta

Carnavalesco: Edson Pereira

Diretores de Carnaval: Fernando Costa e Elisa Fernandes

Intérprete: Marquinhos Art’Samba

Mestre de Bateria: Casagrande

Rainha de Bateria: Mileide Mihaile

Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Matheus Miranda e Lucinha Nobre

Comissão de Frente: Bruna Lopes e Ariadne Lax



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